h1

Arrah and the ferns

January 4, 2010

Das pessoas que inventei ou que poderia ter inventado, foi a @txelah quem me apresentou esta banda.

Há muito tempo tenho esta queda por vocal feminino. Acho que elas tornam a música mais interessante. A voz masculina tem que se esforçar muito para me interessar. A causa disso? Gosto de pensar que sou um homem que ama as mulheres.

Mas voltando a Arrah and the ferns, embora a voz lembre Frente ou até o Sixpence None the Richer com um timbre meio infantil de cantar, é a mistura com a sonoridade folk/rústico que a torna interessante.

Nas pesquisas que fiz pela Internet atrás de material da banda, descobri que fizeram um show para se reunir no final de 2009. Então, ao entrar no site oficial, li que desde 2007 a banda estava desfeita com cada integrante indo para o seu canto.

Esta deve ser a história da maioria das bandas: desfazem-se. Sempre fui da opinião que montar uma banda era um ato político nos dias de hoje: promover uma mensagem através de um coletivo do que idolatrar a si próprio.  Bastante inocente o modo de pensar em tempos de Big Brother. Hoje  gosto de pensar que tem muita gente que se reuni pelo simples prazer da música em grupo.

Então, esta música que abre o post, que há muito tem me dado certa angústia pessoal, fez um sentido diferente. Como se fugíssemos de um lugar para nos encontrar em outro.

Mas somos todos uns fodidos, não vamos ter grana para a passagem.

h1

500 Days of Summer

December 31, 2009

Um filme que começa avisando que não é uma história de amor no mínimo vai ser interessante: é assim que começa 500 Days of Summer.

Eu chamo de amor indie aquele que é com trilha sonora de bandas esquisitas (ou pouco conhecidas, na verdade) que tem uma edição que comenta e diálogos sacados. Mas depois do filme acho que este tipo de amor (se é que amor pode ter tipo) é na verdade entre estranhos.

O gosto pela estranheza está ligado a viver a vida com uma cabeça mais aberta. Acho que é uma coisa que muita gente busca, mas que gera um certo medo. Porque era mais fácil moldar relacionamentos em estruturas sociais mais claras. Hoje em dia há um número de possibilidades que desnorteia o que deve ser um relacionamento moderno.

(To viajando…)

O personagem de Summer é um pouco esta busca por um amor para ser descoberto em um mundo moderno. Ele, no entanto, é a dor-de-cotovelo, o fosso e a volta por cima.

Se for pensar bem, no filme há dois conflitos. Cada personagem com o seu. Mas o filme é um só porque temos apenas o olhar do carinha.

Mas eu estava pensando que a personagem mais bacana é a menina que joga futebol, acho que é irmã do cara. Ela sempre como uma conselheira, pessoa lúcida em pele de criança: “Só porque uma garota gosta de suas bizarrices não quer dizer que é “aquela garota””, ela diz em um momento do filme.

Comecei a imaginar se o olhar do filme fosse o dela. Talvez ficasse mais interessante:  sabedoria e falta de experiência misturados.

As referências pops do filme me lembram muito os filmes do Cameron Crow que adoro.

Eu sou uma pessoa bastante cética, não sou muito de acreditar em destino e coisa e tal. Acho que este amor tão avassalador é questão de sorte ou coincidência. Mas respeito bastante quando acontece.

Ah, e quanto a se identificar com algum personagem: eu sou a menina que joga futebol, embora não seja menina, nem jogue futebol.

h1

Avatar

December 30, 2009

A primeira impressão de quando ouvi falar do filme do Avatar era que seria divertido porque o desenho animado é. Mas depois fui ver que uma coisa não tinha nada a ver com a outra, o que me deixou desinteressado. Aí descobri que o diretor era o James Cameron, o cara que teve a manha de gastar 200 milhões de pilas americanas para fazer “Titanic” que aliás eu curto. Pensei: ou vai ser um Titanic ou um Waterworld.

Sim, pessoas. Estima-se que o cara gastou a quantia exorbitante de 500 milhões de pilas já contando a divulgação.

Acabei de voltar do cinema e o que posso dizer é que James Cameron perdeu a chance de fazer um filme muito bacanudo.

E não é nem pelas pirotecnias dos computadores. É que ele elencou um monte de assuntos interessantes para ficar disperso em uma história até meio previsível.  Como li no RT da @giannetti: “pocahontas + LSD”.

Começo então pelas pirotecnias. Desde a abertura inicial do terceiro Guerra nas Estrelas: a vigança dos Siths, convenci-me que o CGI só voltaria a me impressionar quando puder captar as sutilezas de uma interpretação de ator. Aliás, talvez seja isso que seja o próximo passo da galera dos efeitos especiais: trabalhar intimamente com os atores.

Admito que Avatar tentou captar essa sutileza, mas foi pelo viés da máquina. A impressão que tenho é que os programadores/modelares/animadores tentaram tanto parecer real que não se permitiram, como um ator, estudar e criar este vocabulário corporal e principalmente facial.

Outra questão que senti falta de se explorar mais na história é a do próprio título: o avatar. Há um momento em que o personagem se questiona quem é. Em “Matrix”, os avatares, ou a representação do ser em outro espaço, são projeções do que as pessoas gostariam de parecer(no caso, a última imagem residual) . Em Avatar, a questão é a adaptação de uma mente e sua complexidade dentro de um corpo com outra complexidade. A passagem de tempo é tão rápida que só sabemos que o personagem se adaptou.

A questão da representação é das mais importantes hoje em dia. Não é só o que somos, mas como nos percebemos. Nos estudos de cinema (arte ainda tão moderna, vejam só) há uma relação diferenciada entre indíce e ícone: o primeiro é algo que se relaciona com o representado através de uma experiência em empírica, em figura de linguagem, é próximo da metomínia. O ícone, por sua vez, é a construção sensorial que mantém proximidade do representado.

Os avatares como conhecemos possui uma dinâmica além destes dois dispositivos. Eles convivem conosco e mantém um diálogo que ora pode ser de indíce (quando o avatar é uma imagem que tem a ver mais com a circunstância que nos é próxima) ou ícone (quando é próximo a nossa identidade física).


comercial da Coca-Cola bacana sobre Avatares

Acho que aí já tem assunto para muita história.

Um outro tópico tem a ver com a questão do “bom selvagem” de Rousseau, os estudos de Levi-Strauss e a questão mítica. Tudo bem que podemos encarar o filme como uma grande fábula, mas Avatar peca em um ponto em que outros épicos acertam: a mitologia.

A construção mitológica de Star Wars, Senhor dos Anéis e até Harry Potter além de bastante detalhada possui lógicas internas que são reveladas aos poucos e elas mesmas possuem contradições. O que Avatar tentou fazer foi criar um mundo mítico em perfeita sintonia com a Natureza e para isso deveria se basear na cultura que mais se aproxima deste ideal harmônico:  o oriente.

O que vemos em Avatar é o olhar ocidental de Rousseau do “bom selvagem”. Talvez se tivesse ido mais para o lado de Levi-Strauss e tivesse criado certa sutileza e camadas simbólicas a ponto de abrir para interpretações variadas, talvez o povo Na´vi não fosse tão chato. A impressão que dá é que eles vivem uma cultural imutável e sem ruídos.

A última questão que me incomodou bastante tem a ver com uma discussão política. Eu vejo a política como a grande questão da auteridade, do pensar o outro. No caso do filme, a equipe de cientistas são como embaixadores; mediadores entre os povos. Ali há uma troca de cultura que em um primeiro momento é intrigante. Aprende-se a língua local, ensina-se a língua terraquea. Este jogo vai ficando falido pela ganância de quem gere o projeto.

Para mim, isto seria o filme: como esta relação começou a ficar conturbada e quando a idéia de Avatar surgiu para tentar melhorar. Quais foram as implicações para cada uma das culturas? Afinal, estar em um corpo que não é seu não é das coisas mais simples.

Para nós que assistimos fica somente que o verbo “ver” tem um significado maior que o usual. Ora, sabemos que culturas tem palavras próprias que são muito difíceis de traduzir como a nossa “saudade”. Não seria divertido se o filme tivésse um toque de “Lost in Translation”?

Mas um ponto bom é que o filme flui bem. Não me cansei nas 3 horas (eu nem sabia que era tão longo) e no final saí com a sensação de “Sessão da Tarde”. Talvez a experiência em 3D ou Imax seja outra coisa, mas eu devo guardar o dinheiro para um próximo filme. Quem sabe “Airbender”, o Avatar?

h1

Danielle ate the sandwitch

December 30, 2009

Esta é outra grata surpresa que encontrei por acidente no youtube.

Danielle toca violão e ukelele (não confundir com cavaquinho… ou confunda) e além fazer versões divertídissimas, tem ótimas composições próprias.

Uma coisa interessante, como no Pomplamoose, é o uso do vídeo. Apesar de não ter o refinamento da linguagem clássica do cinema inventada por Griffiti, Danielle utiliza o vídeo de forma criativa e não como mero registro.

A seguir, um dos meus favoritos. Simplesmente genial usar a geladeira como fundo e contra-luz. Além de um clima irreverente, podemos sentir o contraponto do frio com a doçura de um dos standards da  música norte-americana.

h1

Pomplamoose

December 30, 2009

Projeto muito bacana. A menina tem um quê meio Suzanne Vega e o cara é todo empolgado em fazer as caras, bocas e instrumentos.

O mais divertido é o uso que fazem do vídeo. As multitelas tentam construir o que deveria ser a representação dos programas de edição multi-pista de som. Normalmente, caras blazés me irritam. Mas a menina sempre deixa em suspense um sorrisinho mais acentuado o que é divertidíssimo.

EP e Covers